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Da ideia à tela

A vida do projeto audiovisual começa antes mesmo de ligar a câmera

No escurinho do cinema ou no sofá da sala, filmes e séries têm a magia de nos transportar para outros lugares. Envolvidos pela trama, nem nos passa pela cabeça o trabalhão que deu para realizar aquela obra. Basta assistir aos créditos: é muita gente para fazer acontecer. Antes mesmo de ligar as câmeras, quando o filme ou série é só uma ideia, há muitas tarefas que exigem a dedicação dos criadores. A elaboração de um projeto audiovisual é um dos primeiros passos em direção à realização da obra.

O projeto audiovisual é a materialização da ideia, segundo o manual do Ministério da Cultura. Com um projeto desenvolvido, os realizadores podem comunicar a sua visão e também levantar recursos para concretizar a obra, seja a partir de financiamentos do Estado, seja com investimentos de coprodutores. O projeto funciona como um guia, apresentando a premissa da obra, as especificações técnicas e os mecanismos de captação de recursos e distribuição da obra. Depois é só adaptar o texto para as necessidades dos diferentes editais, canais, estúdios e produtores.

Produtos audiovisuais com projetos mal-acabados geralmente não conseguem chegar ao público, explica o professor e consultor Pablo Del Teso. Isso acontece em parte porque não existem sistemas robustos para o financiamento da etapa de desenvolvimento e, quase sempre, a equipe precisa investir seu tempo para elaborar o projeto e torcer para alcançar a fase de produção. Essa prática não é sustentável e gera um ciclo de produções que dificilmente atingem os mercados local e internacional. A produtora executiva da Forest, Amanda Fernandes, acredita que dedicar mais atenção para a etapa de desenvolvimento significa otimizar os recursos para obter o melhor resultado. Para ela, depois que a câmera começa a rodar, não dá mais para voltar atrás.

O desenvolvimento é dedicado a pensar a obra como um produto voltado para determinado público, com custos e etapas a serem vencidas até chegar à comercialização. Nesses primeiros momentos, a equipe precisa entender para quem a história é contada e se a ideia tem pernas longas o suficiente para alcançar mercados nacionais e internacionais. Cada projeto tem um perfil diferente, algumas obras serão distribuídas em festivais com nichos bem definidos, outras podem ganhar as televisões do Brasil e do Mundo. No caso do projeto de série animada “Pé de Lírio”, criada pela Forest Comunicação, o objetivo é conquistar os corações das crianças em idade pré-escolar. O projeto foi selecionado pelo edital de desenvolvimento do PRODAV (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro). Assim, essa etapa passa a ser uma parte reconhecida do trabalho, com tempo e recursos disponíveis.

Existem várias outras formas de fortalecer um projeto. Se duas cabeças pensam melhor do que uma, imagina um grupo de especialista com diferentes experiências no mercado audiovisual? Pois bem, a participação em laboratórios de desenvolvimento pode ser um bom investimento. A Forest já esteve em alguns desses eventos, colocando os projetos na roda e recebendo feedbacks de outros profissionais da indústria. Muitas vezes esses espaços oferecem a possibilidade de fazer um pitchpara representantes de canais e estúdios. A atividade pode significar novos avanços para a ideia ou mesmo recursos para a realização da obra.