Uma ideia na cabeça e muitas planilhas na mão

É um drama? Uma comédia? Qual é o público? Quais os principais gastos? Organizar todas essas informações ajuda a economizar tempo e dinheiro. A produtora executiva da Forest, Amanda Fernandes, é fã de uma boa planilha. E aquelas elaboradas pela Mariana Brasil, consultora de produção independente há mais de 20 anos, mostram erros, desafios e soluções, facilitando o planejamento e a visualização das etapas de produção. Sistematizar é fundamental. Aprendemos essa lição no dia a dia e em laboratórios de desenvolvimento audiovisual pelo Brasil.

Mas não é para atirar as aspirações artísticas e autorais pela janela. A escritora Anne Jackel lembra que  a criatividade e o financeiro andam de mãos dadas na produção de uma obra audiovisual, todos os elementos são balanceadas e integrados para se chegar ao resultado final. O cinema e o audiovisual movimentam uma indústria bilionária que abastece o mercado mundial de sucessos de bilheteria e superproduções televisivas. Mas o primeiro passo de um projeto começa muito antes com uma pequena semente: uma ideia a ser desenvolvida.

Uma boa ideia só é boa se for bem executada. O Storytelling e a escrita criativa apoiam o roteirista nesse processo, lembra Sonia Rodrigues. Para quem ainda não escutou essa palavra que está tão na moda,  o Storytelling é o uso da linguagem, seja ela escrita ou não, para contar, a partir de diferentes recursos, estórias sobre as quais o “contador” tem total controle. A definição é da Christina Maria Schollerer do curso online The Future of Storytelling. O enredo, os arcos dramáticos, os famosos “plot twists” (viradas na trama) são alguns elementos do roteiro que tornam a história mais interessante. A narrativa pode ser contada em atos, sequências e cenas nem sempre lineares ou cronológicos.

Como saber quando o roteiro está pronto para a produção?  A participação em laboratórios audiovisuais pode ser um começo. Esses eventos oferecem um cardápio de profissionais com bagagens e perspectivas diferentes. Os participantes também possuem experiências prévias e estão dispostos a trocar figurinhas sobre esse universo, seja de temas mais voltados à criação e formatação da ideia, seja de assuntos mais direcionados ao financiamento e a produção.

A história do Lírio, personagem criado pela Forest para protagonizar uma série de animação infantil, avançou a partir dos empurrãozinhos de diferentes espaços: o pitching do Rio Webfest, as mesas de negociação do Rio Content Market e o Icumam Lab (Laboratório de Fomento à Produção Audiovisual no Centro-Oeste). Na última viagem do nosso menino, por exemplo, ele encontrou um novo personagem: um tatuzinho bola de jardim que o acompanha em suas aventuras.

Essa colaboração possibilita que mais realizadores possam contar suas histórias e participar da programação das televisões, dos cinemas, festivais e, agora, das plataformas de streaming. Os laboratórios audiovisuais são pensados exatamente para essa convergência. Produtores, roteiristas e diretores com diferentes experiências no mercado arregaçam as mangas para transformar projetos em propostas sólidas, com potencial de sucesso. Consultores compartilham sua expertise nos diferentes estágios de desenvolvimento e apontam direções para quem está começando ou se encontra no meio do caminho. São palestras, sessões de pitching e tutorias particulares. Como descreveu Anna Jackel, mercado e criatividade fazem uma associação improvável, mas muito bem-sucedida.

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